sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

TOCA RAUL !!!


Há alguns anos, “Toca Raul !” era um “bordão” muito utilizado pelo meu amigo-parceiro Daniel “Lanchinho” quando íamos assistir aos shows dos amigos pelos palcos e botecos de São Paulo.


Hoje isso é quase um jargão nacional, repetido a exaustão, de barzinhos empoeirados a grandes palcos consagrados. Até no show dos Paralamas o Herbert Vianna mandou um “viva a sociedade alternativa...” para deleite da platéia dos jovens “quase quarentões”, como eu, aliás...


Não sei se foi o Daniel que inventou isso, só não me lembro de ter ouvido alguém dizer isso antes dele.


O certo é que Raul se foi há vinte anos e a cada dia que passa, fica mais vivo. Dividendos para seus herdeiros, advogados e novas gerações descobrindo os mistérios e mágica de sua música.


Certamente Raul foi um artista um tanto à frente de seu tempo.


Possivelmente tenha nascido mesmo há 10.000 anos atrás.


Nada disso é impossível, ou mesmo explicável, quando se trata de Raul Seixas. Melhor é não tentar entender. Bom é ouvir, (re)descobrir.


Fui um adolescente fã de Raul, daqueles de usar camisetas e ter todos os vinis disponíveis nos anos 1980.


Curiosamente gostava mais da fase pós-Philips, dos discos da fase Warner. Os primeiros, apesar de gostar, me assustavam um pouco. Me identificava mais com a fase “Maluco Beleza” do que com “Gita”.


Passado tanto tempo, consigo entender que aquele artista (e ser humano) estava no seu caminho evolutivo em direção, infelizmente, ao seu fim.


Caras como Raul sofreriam muito num mundo como o de hoje, se não conseguissem transcender as suas próprias dificuldades. Não só as coisas do alcoolismo (isso é curável), mas principalmente com a integridade e profundidade das linhas que escrevia e interpretava em suas canções.


É uma pena ! Um ser humano sensível e talentoso a menos. Um pai, um marido, um filho, um amigo...se fosse meu pai preferia ele vivo, perto e bem...mas a vida, definitivamente, não é como a gente gostaria.


Deixemos de coisa e sigamos de encontro ao melhor de tudo isso: sua música !


Até porque: “ ...O que você tem pra dizer / Ouvi há cem anos atrás/ O que eu faço agora / Você não sabe mais...”


Deixa eu calar a minha boca e curtir esses CDs remasterizados, após tantos anos de silêncio de Raul em meus ouvidos.


Claro que é melhor uma obra sempre relançada do que fora de catálogo, mas a gravadora poderia disfarçar um pouco sua ânsia de ganhar dinheiro e fazer, pelo menos, um encarte-livro, com fotos, material inédito e caprichar mais nos bônus-tracks, afinal o preço de R$ 100,00 não é exatamente uma bagatela que todos podem dispor.



Toca Raul !!!!


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sá, Rodrix & Guarabyra voltam com CD inédito

Sá, Rodrix & Guarabyra


Não é bom copiar reportagens, mas vou citar parte desta do Uol:



"Quando Zé Rodrix morreu, em maio passado, todas as canções que surgem agora em "Amanhã" já estavam compostas, gravadas e mixadas.

O álbum, primeiro de inéditas de Sá, Rodrix & Guarabyra desde a dissolução do trio em 1973, esclareceria que o retorno inaugurado no Rock in Rio de 2001 --e que renderia na sequência o ao vivo "Outra Vez na Estrada"-- não seria efêmero.


Os três seguiriam juntos dali. "Amanhã" foi oferecido a gravadoras assim que ficou pronto, em novembro de 2008. Nenhuma se interessou. Aceitariam, isso sim, se em vez de inéditas o disco trouxesse, de novo, repertório retrospectivo.


"Com a multiplicação de réplicas da mesma coisa, as gravadoras entraram num beco sem futuro", diz Guarabyra. "Em consequência, naturalmente o gosto da população, que já consumiu largamente estilos mais variados e muito sofisticados, perdeu o apuro."


Sá, Rodrix e Guarabyra não toparam refazer o que já estava refeito. Compuseram sete das 12 faixas de "Amanhã" especificamente para o disco. As outras cinco já estavam prontas antes da retomada, mas não haviam sido registradas pelos três.


"Não só novas bandas de rock rural, mas novas bandas de todos os estilos que não sejam aqueles que as gravadoras, insuperáveis em mediocridade, considerem comerciais, não terão vida fácil", rebate Guarabyra. "Vai levar tempo para que o público tenha acesso novamente à imensa diversidade da música brasileira."


Essas coisas são de dar vergonha, asco, ânsia de vômito, sei lá...


Interessante é que estas "gravadoras" que devem estar infestadas de caras que pegam "bola" e montam esquemas para promover qualquer bomba e se darem bem, ou de incompetentes de toda lavra que raramente sabem fazer um acorde estão afundando e levando junto com elas uma enorme safra de artistas condenados aos ostracismo porque não fazem o joguinho sujo do jabá, da mentira e da promoção a qualquer custo.


Uma pena que destruiram um propósito tão bacana como era o de promover um saudável negócio da música.


O Zé infelizmente morreu, muito cedo pro meu gosto...a ética, o caráter e a inteligência...bom, quem quer saber disso ???


Minha opinião não vale muito...só precisava deixar isso registrado...ah, o Sá e o Guarabyra, que já ajudaram a Globo e a Som Livre a vender bastante disco de trilha sonora de novela, poderiam publicar a lista dos ratos idiotas que não quiseram lançar este trabalho...



Tomara que venda um montão pelo independente !!! Eu compro dois...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

MU #4

Na cordilheira da Paulista...

Maestro Soberano, Antonio Carlos Jobim

Segundo especial de verão.


Edição #4 do Melodia Universal, desta vez gravado na região da Avenida Paulista, especialmente na altura do Conjunto Nacional e na Livraria Cultura, traz uma homenagem a São Paulo na passagem do seu aniversário de 456 anos.


Saudade do Brasil - Tom Jobim
Água de Beber- Tom Jobim
The Rain - Yusuf Islam
Sailing- Rod Stewart
Caminho Pisado - Os Paralamas do Sucesso
Perto de Deus- Cidade Negra
Enquanto o Mundo Gira - Cidade Negra
Bargain - The Who
Sorria Você Tá Sendo Filmado- lançamento de Arnaldo Brandão
Aqui e Agora - Gilberto Gil
Quem Dá Mais ? - Antonio Marcos
A Natureza do Homem - Aden Santos (raridade)
Anunciação - Alceu Valença
Amanhecendo - trecho da Sinfonia Paulistana de Billy Blanco
Noturno em São Paulo - Dick Farney


Programa especial com quase 75 minutos de duração.


http://www.thelos.org.br/site/programa-04.html

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

AMNÉSIA PROGRAMADA


Arnaldo Brandão é um daqueles músicos/compositores com os quais me identifiquei à primeira audição.



Não sei em que ponto da história, mas certamente foi enquanto ele acompanhava Caetano Veloso na A Outra Banda da Terra.



Possivelmente no disco Cinema Transcendental ou Outras Palavras reparei no timbre característico do seu baixo Fender e de alguns grooves rítmicos bem firmes, como Trilhos Urbanos, Sina e Odara. Depois descobri que a linha de Como Vovó Já Dizia, do Raul também era obra do Arnaldo.



Com o sucesso de Noite do Prazer, em 1983, no grupo Brylho, a referência foi para o reggae, nma das grandes linhas de baixo da música pop brasileira, e a partir de 1985, assume o vocal e cria o grupo Hanói-Hanói, com o grande sucesso Totalmente Demais e discos muito interessantes, como Fanzine, O Ser E O Nada e Coração Geiger.



Na época de Fanzine, em 1991, tive oportunidade de conhecer Arnaldo após um show no Aeroanta, em SP.

Cara simpático e com aparente disposição em conversar com os fãs. Algum tempo depois, estive no Rio para levar a ele uma demo tenebrosa do projeto embrionário do que viria a ser O Vaca de Pelúcia. Pacientemente e bem cansado após alguma sessão de gravação ou composição ele me recebeu para “ouvir” aquele material toscamente gravado em fita K7. Quando a gente tem 21 anos, ou quando tinha 21 anos em 1991, não se tem muita noção do que faz...



Pelas razões que a gente já está careca de saber, muita gente talentosa acaba saindo da grande mídia e ficam os “bundões” de sempre acompanhados pelas invenções sazonais do pessoal derrubadaço que gere as gravadoras e veículos de mídia de entretenimento de massa.



Ainda bem que através da Internet a gente pode ESCOLHER o entretenimento que deseja.



Tudo isso para falar, brevemente, sobre Amnésia Programada, novo disco-solo do, outrora baixista, que agora também se dedica a guitarra, violão, alguns teclados e ritmos programados.



Todos os seus discos-solos, assim como os do Hanói-Hanói contam com os versos críticos e ácidos de Tavinho Paes. Um poeta do hiperrealismo, de linguagem objetiva, um cronista absoluto da contemporaneidade, sem meias-palavras, embora desde Arnaldo e o Plano D, primeiro disco-solo, Arnaldo tenha se enveredado em escrever ótimas letras.



A coleção de composições de Amnésia Programada é excelente, muito bem executada e agradável de ouvir. O destaque é o disco como um todo, mas faixas como Beijo de Peixe, Fico Na Sua e Sorria Você Ta Sendo Filmado bem que poderiam tocar em alguma rádio.



A faixa final, Não Ligue o Gás, oferecida para Ângela Ro Ro que não a gravou por achar triste demais, é uma obra prima da canção brasileira.



Vale muito a pena conhecer este disco.



Bom, não vou colocar o CD para download aqui, mas uma visita ao site www.arnaldobrandao.com.br vai indicar como encontrar o disco ou ter algumas prévias dele.



No Melodia Universal #4, que vai ao ar na segunda-feira, dia 25, você poderá ouvir Sorria Você Ta Sendo Filmado.